terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os três crivos de Sócrates e a maledicência

"Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos seus ouvidos:

- Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular...

- Espera! - ajuntou o sábio prudente - já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?

- Três crivos? - perguntou o visitante, espantado.

- Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza quanto aquilo que pretendes comunicar?

- Bem - ponderou o interlocutor - assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e...então...

- Exato, Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que me queres contar?

Hesitando, o homem replicou:

- Isso não... Muito pelo contrário...

- Ah - tornou o sábio - então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

- Útil? - aduziu o visitante ainda agitado - útil não é...

- Bem - rematou o filósofo num sorriso – se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificação para nós!...

Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questão de maledicências..."

Irmão X

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