sexta-feira, 14 de maio de 2010

O que Deus quer de nós: o homem de bem


Há um trecho do "Evangelho segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, que gostamos muito e vemos como um guia de como devemos agir em nossas vidas para vivermos como Deus deseja. Enxergamos como uma lista das qualidades que Deus quer que nós desenvolvamos ao longo de nossos dias.


Trata-se do Capítulo XVII do livro, intitulado "Sede Perfeitos", no tópico "O homem de bem" (págs. 347 a 350). Transcrevemos o trecho:


O HOMEM DE BEM


3. O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.


Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas.


Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.


Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.


Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.


Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.


O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.


Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.


Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo não merece a clemência do Senhor.


Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.


É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado.”


Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.


Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.


Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros.


Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.


Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões.


Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.


O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.(Cap. XVII, nº 9.)


Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus.


Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz.


É, realmente, um roteiro inspirado nas lições que Jesus nos trouxe. Traz para as nossas vidas a noção de que devemos viver conforme a "regra de ouro" que Jesus nos ensinou: devemos fazer aos outros somente aquilo que gostaríamos que eles nos fizessem, assim como deixar de fazer aquilo que não gostaríamos que fizessem para nós.


Sabemos como é difícil ser um homem ou mulher de bem, como é complicado sermos verdadeiros Cristãos. Não é fácil apagar nossos costumes e instintos velhos, egoístas. Não é fácil perdoar e esquecer quando alguém nos diz ou faz algo que consideramos ruim. Nosso primeiro impulso é o de retribuir o mal com o mal, agindo para com o próximo da maneira que não gostamos que ele tenha agido conosco.


E quantas vezes lemos, estudamos e pensamos nesses ensinamentos do Cristo e não conseguimos agir em conformidade com eles logo ali na frente, momentos depois? Os velhos hábitos vêm primeiro e respondemos, xingamos nosso irmão, nossos pais, alguém que nos incomoda. E lá se vai, por água abaixo, todo aquele esforço de mudarmos, de melhorarmos, termos mais paz, sermos mais fraternais.


Mas a verdade é que nem por isso deixamos de ser Cristãos. Ou de tentarmos ser. Erramos, é verdade, mas estamos dispostos a não errar, a melhorar, a mudar. Se erramos hoje, devemos atentar mais amanhã. Não errar mais, não repetir o erro. Cada erro vira aprendizado, experiência. Errei, mas aprendi. Não vou mais revidar, não vou mais ofender ou perder a paciência, chega de me alterar porque alguém me disse algo ruim ou me feriu. Não vou perder minha paz de espírito porque alguém quer. Vou tentar trazer esse irmão para a mesma paz e não descer até a desarmonia em que ele se encontra e de onde pede ajuda.


As lições que Jesus trouxe à Terra não são destinadas aos seres perfeitos. Não são para os santos. Estes já sabem disso, já agem conforme ditas lições. Seria ensinar o óbvio. São para nós, que erramos, que repetimos erros, que continuamos em nossos círculos viciados de ódios, de rancores, algumas vezes vinganças, desamores incontáveis. Para nós, ainda orgulhosos, egoístas, que colocamos todas nossas forças em castelos de areia e que queremos ser mais amados do que os outros, sem causa justa.


Nós é que devemos aprender a viver o Evangelho. Aprender o amor incondicional, a caridade, a fraternidade, o desapego, a FÉ em Nosso Pai. Um roteiro de como devemos viver já nos foi dado, agora falta aprendermos a viver como homens e mulheres de bem, Cristãos de verdade, discípulos de Jesus, soldados do Seu Exército de Amor e Compaixão.


Irmãos, não desistamos. Todos nós erramos, magoamos, ferimos, ofendemos e fizemos algum mal, algum dia. Mas não somos maus por natureza. Somos luz, mais ou menos fraca, segundo nossos atos. Nosso destino é Deus, é sermos luz intensa, amor intenso. Então, esqueçamos o mal que fizemos e vamos recomeçar nossas vidas, arrancando de nós nossos defeitos, nossos vícios, egoísmos e rancores. Vamos abraçar o Cristo e tentar, a cada dia, vivermos como Ele nos ensinou, fazendo o que Ele e Nosso Pai querem que nós façamos, pois sabem o que melhor para nós, aonde devemos ir e o que devemos nos tornar um dia: Amor infinito, como eles.


Que o nosso mal seja passado. Que sejamos apenas amor, boa-vontade, caridade e FÉ. Que ingressemos, a partir de hoje, na Academia do Cristo, aprendendo, com Ele, como devemos viver, e nos candidatando a discípulos do Verdadeiro Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo.


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