sábado, 28 de agosto de 2010

A Igreja Universal do Reino de Deus e as ações judiciais contra jornais e jornalistas – 3

A última notícia que temos sobre os processos, de fevereiro de 2010, é de que somam o total de 106, em diversos estados brasileiros, sendo que 90 já foram sentenciados contra a IURD ou seus fiéis.

Eis a notícia:

23/02/2010 - 09h40

Juiz dá vitória à Folha contra Igreja Universal


da Folha de S.Paulo

O juiz de direito Alexandre Muñoz julgou improcedente a ação de indenização movida pela Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) contra a Folha e a jornalista Elvira Lobato, autora de reportagem, publicada em 15 de dezembro de 2007, sobre o conglomerado de empresas ligado à Iurd.

Na Justiça, a igreja alegou ser alvo, há anos, de matérias jornalísticas falsas publicadas pela Folha. No caso específico da reportagem intitulada "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", argumentou que foi tratada como um grupo de empresas alavancado pelos dízimos pagos pelos fiéis, o que teria elevado seu líder espiritual, Edir Macedo, à categoria de bilionário.

Em sua decisão, proferida em 27 de janeiro, o juiz Alexandre Muñoz diz que a reportagem encontra respaldo numa série de documentos apresentados à Justiça. "Resta patente, portanto, que a veracidade das informações está clara e demonstrada nos autos", escreveu o magistrado na sentença.

O juiz defendeu ainda o direito do jornal de divulgar a notícia. "Óbvio que seus seguidores [da Iurd] e também outras tantas pessoas que não são suas seguidoras têm direito a esta informação."

Na decisão, Alexandre Muñoz afirma não ser possível associar a jornalista a uma suposta perseguição ou sensacionalismo contra a igreja, como argumentou a Universal, já que Lobato é autora de outras reportagens sobre outras igrejas.

Com relação ao pedido da Iurd de indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil, o magistrado informa que a igreja não conseguiu apresentar nos autos "prova de qualquer dano sofrido, pois, como é notório e sabido, a autora não perdeu seguidores nem deixou de conquistar outros".

"Daí a conclusão de que [a igreja] não perdeu nada com a publicação da matéria jornalística objeto da controvérsia dos autos, dando a entender que o intuito é tentar evitar dissabores pela divulgação de fatos, inclusive retratados por outros veículos de comunicação, mais ainda assim verídicos", escreveu o magistrado.

Sobre a publicação da reportagem, o juiz afirmou se tratar do "exercício de um direito e de um dever fundamental".

Recursos

A advogada da Igreja Universal, Adriana Guimarães Guerra, afirmou ontem que não foi informada oficialmente sobre o teor da sentença, mas que irá recorrer da decisão no Tribunal de Justiça de São Paulo. "E, dependendo do resultado, vamos recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. Estamos dispostos a ir até o Supremo Tribunal Federal", afirmou Guerra.

A advogada da Folha, Taís Borja Gasparian, afirmou que a sentença de Alexandre Muñoz confirmou a reportagem publicada pelo jornal.

"A sentença reconheceu que as informações trazidas pela jornalista Elvira Lobato são verdadeiras e socialmente relevantes e, portanto, lícitas. É uma grande vitória da liberdade de expressão do pensamento, e uma grande vitória do jornal, depois de dois anos de intenso trabalho não apenas nessa, mas nas mais de cem ações propostas pelo Brasil afora."

A reportagem de Lobato --intitulada "Universal chega aos 30 anos com império empresarial" e vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo em 2008-- foi alvo ainda de outras 106 ações movidas por fiéis, em todo o país, que disseram na Justiça terem se sentido ofendidos com o conteúdo do texto. Todos os processos movidos pelos fiéis têm textos idênticos.

Segundo levantamento da defesa da Folha, incluindo a atual ação de indenização sentenciada pelo juiz Alexandre Muñoz, por enquanto, 90 processos foram julgados em primeira instância, todos com decisão favorável ao jornal.

"O que impressionou, em todo esse episódio da Iurd versus Folha, foi o nítido caráter inibitório dos processos, no claro intuito de instrumentalizar o Judiciário", afirmou Gasparian.

Em caráter excepcional, a ação indenizatória da Igreja Universal foi julgada por um juiz criminal da comarca de Avaré (SP), Alexandre Muñoz, apesar de a ação ter começado na 39ª Vara Cível de São Paulo.

Isso aconteceu porque a Justiça implantou um processo de mutirão para acelerar o julgamento de casos que estavam prontos para serem sentenciados. Varas com um volume maior de processos transferiram alguns casos para varas mais desafogadas.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u697675.shtml

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

EUA investigam Igreja Universal por remessas de R$ 420 milhões

MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO


A Igreja Universal do Reino de Deus é investigada nos EUA sob suspeita de ter praticado os crimes de lavagem de dinheiro e conspiração, similar ao que o Código Penal brasileiro chama de formação de quadrilha.

Dois doleiros brasileiros disseram a promotores americanos ter remetido ilegalmente o equivalente a R$ 420 milhões do Brasil para Nova York, no período entre 1995 e 2001. As remessas eram na razão de R$ 5 milhões por mês, segundo a dupla.

O depoimento dos doleiros foi feito no âmbito de um acordo de delação premiada em Nova York. É uma negociação na qual criminosos tentam reduzir suas penas oferecendo informações que podem ajudar a desvendar novos crimes.

Os investigadores americanos tentam descobrir o que a Universal teria feito com esses recursos nos EUA.

A apuração é feita em caráter sigiloso e tem entre os seus alvos o bispo Edir Macedo e a tesoureira da igreja em Nova York, Regina da Silva.

Silva já foi indiciada pela Promotoria de Nova York noutra investigação sob acusação de ter praticado os crimes de apropriação indébita, falsificação de documentos, falso juramento e fraude.

Ela simulou ter feito assembleias em duas igrejas da Universal (Brooklyn e Queens) para levantar empréstimo de US$ 22 milhões.

DOLEIROS

A investigação americana sobre a igreja é um subproduto da maior operação já feita pela PF contra doleiros, realizada em 2004. Chamada de Farol da Colina (referência à empresa americana que abrigava a conta dos doleiros, a Beacon Hill), ela resultou na prisão de 62 doleiros.

Numa casa de câmbio em São Paulo, a Diskline, a PF achou um CD com arquivos de computador que fazia referência a uma suposta funcionária da Universal, batizada de "Ildinha/Fé".

Ilda, segundo investigação do Ministério Público Federal, "era encarregada de levar as malas de dinheiro para a empresa Diskline".

A casa de câmbio Diskline era a fachada de dois dos maiores doleiros do país, segundo a PF: Marcelo Birmarcker e Cristina Marini Rodrigues. São eles que fizeram o acordo de delação em Nova York e contaram ter remetido perto de R$ 420 milhões para os EUA a mando da igreja.

Bimarcker e Marini Rodrigues operaram três contas no Merchants Bank de Nova York, nas quais teria passado dinheiro sem origem da Universal. Eram contas abertas em nome de empresas criadas em paraísos fiscais: a Milano Finance Inc., Pelican Holding Group e Florida Financial Group.

CONTA CONGELADA

As três contas movimentaram US$ 851 milhões apenas em quatro anos, entre 1998 e 2002, segundo perícia feita pela PF. Quando a polícia deflagrou a Farol da Colina, uma corte de New Jersey determinou que o saldo das três contas fosse congelado. À época, em 2004, os doleiros tinham US$ 1,32 milhão.

A Promotoria de Nova York começou a investigar as supostas remessas da Universal por uma razão simples: dinheiro sem origem da igreja teria passado por um banco que opera naquela cidade, o Merchants.

Pode parecer uma motivação fraca para uma investigação dessa envergadura, mas foi por essa razão que o deputado Paulo Maluf (PP-SP) virou réu numa ação em Nova York e teve sua prisão internacional decretada.



É preciso cuidado com depoimento em delação premiada, diz advogado da Univesal

http://www1.folha.uol.com.br/poder/787753-eua-investigam-igreja-universal-por-remessas-de-r-420-milhoes.shtml


Notícia de 11 de agosto de 2009:


Edir Macedo e mais 9 viram réus, acusados de desviar dinheiro de fiéis

Justiça aceitou denúncia contra pessoas ligadas à Igreja Universal.
Eles foram denunciados por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.


A Justiça de São Paulo aceitou denúncia nesta segunda-feira (10) contra o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e outras nove pessoas por suposta formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público, para adquirir empresas de comunicação e outros bens, o grupo usava dinheiro doado por fiéis da Igreja Universal. O dinheiro, de acordo com o MP, era enviado ao exterior e voltava ao Brasil por meio de empresas de fachada. Segundo o artigo 150 da Constituição, "é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios" instituir impostos sobre "templos de qualquer culto".

As dez pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. O processo está em andamento na 9ª Vara Criminal da capital. Todos passaram a ser réus no processo e têm dez dias – prazo estabelecido no Código Penal - para apresentar defesa prévia.

De acordo com o MP, a denúncia, apresentada no dia 5 de agosto, é resultado de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A Justiça decidiu aceitar a denúncia nesta segunda (10).

Entre os denunciados estão Edir Macedo, Alba Maria da Costa, Edilson da Conceição Gonzales, Honorilton Gonçalves da Costa, Jerônimo Alves Ferreira, João Batista Ramos da Silva, João Luís Dutra Leite, Maurício Albuquerque e Silva, Osvaldo Scriorilli e Veríssimo de Jesus. Segundo o Ministério Público, todos são ligados à Igreja Universal.

Outro lado
O G1 procurou o advogado dos réus e a Igreja Universal e aguarda resposta.

Ao jornal "Folha de S.Paulo", o advogado Arthur Lavigne disse que tanto a Unimetro quanto a Cremo tiveram suas contas aprovadas pela Receita Federal. Ele negou fraudes e disse que a Universal e seus integrantes são perseguidos pelo Ministério Público Estadual.

Entenda o caso
De acordo com o MP, os denunciados integram um grupo que supostamente remetia os recursos oriundos de doações dos fiéis da igreja para duas empresas: a Unimetro Empreendimentos S/A e a Cremo Empreendimentos S/A. Segundo os promotores, são empresas de fachada, pertencentes aos denunciados e instaladas em um mesmo endereço.

Segundo comunicado divulgado pelo Ministério Público, "para os promotores, ficou comprovado que o dinheiro das doações, em vez de ser utilizado para a manutenção dos cultos, era desviado para atender a interesses particulares dos denunciados".

O comunicado diz que Cremo e a Unimetro "remetiam esses recursos para empresas localizadas em paraísos fiscais". Segundo o MP, "o esquema garantia que o dinheiro retornasse ao Brasil em forma de contratos de mútuo celebrados com intermediários que fazem parte do grupo acusado, e fosse utilizado na compra de empresas de comunicação".

Em 2004 e 2005, de acordo com o MP, as duas empresas "foram responsáveis pela movimentação, ocultação e dissimulação de mais de R$ 71 milhões".

O Ministério Público diz que, há dez anos, o grupo utiliza a Igreja Universal para a prática de fraudes. O MP estima que a Igreja Universal movimente cerca de R$ 1,4 bilhão por ano no Brasil como resultado de doações de fiéis.



Matéria no Jornal Nacional, da Rede Globo (11/08/2009):




terça-feira, 24 de agosto de 2010

Prece de Cáritas

Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àqueles que passam pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.

Deus! Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai! Dai ao culpado o arrependimento, ao Espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.

Senhor! Que vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes.

Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhecem, esperança para aqueles que sofrem.

Que a vossa bondade permita aos Espíritos consoladores espalharem por toda parte a paz, a esperança e a fé.

Deus! um raio, uma faísca de vosso amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

Um só coração, um só pensamento subirá até vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos, oh! Bondade, oh! Beleza, oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte merecer a vossa misericórdia.

Deus! Dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará das nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Imagem.

CÁRITAS

Os três crivos de Sócrates e a maledicência

"Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos seus ouvidos:

- Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular...

- Espera! - ajuntou o sábio prudente - já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?

- Três crivos? - perguntou o visitante, espantado.

- Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza quanto aquilo que pretendes comunicar?

- Bem - ponderou o interlocutor - assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e...então...

- Exato, Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que me queres contar?

Hesitando, o homem replicou:

- Isso não... Muito pelo contrário...

- Ah - tornou o sábio - então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

- Útil? - aduziu o visitante ainda agitado - útil não é...

- Bem - rematou o filósofo num sorriso – se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificação para nós!...

Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questão de maledicências..."

Irmão X

EVANGELHO DE MATEUS, CAPÍTULO 5, 6 E 7: O Sermão da Montanha


Mateus 5


1 Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele,


2 e ele começou a ensiná-los, dizendo:


3 "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.


4 Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.


5 Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança.


6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.


7 Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.


8 Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.


9 Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.


10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.


11 "Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.


12 Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês".


13 "Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.


14 "Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.


15 acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa.


16 Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus".


17 "Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.


18 Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra.


19 Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus.


20 Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus".

21 "Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’.


22 Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco! ’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.


23 "Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você,


24 deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.


25 "Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho, pois, caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz, e o juiz ao guarda, e você poderá ser jogado na prisão.


26 Eu lhe garanto que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo".


27 "Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’.


28 Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.


29 Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno.


30 E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno".


31 "Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’.


32 Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério".


33 "Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não jure falsamente, mas cumpra os juramentos que você fez diante do Senhor’.


34 Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma: nem pelo céu, porque é o trono de Deus;


35 nem pela terra, porque é o estrado de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei.


36 E não jure pela sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto nem um fio de cabelo.


37 Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno".


38 "Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’.


39 Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.


40 E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa.


41 Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.


42 Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado".


43 "Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’.


44 Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem,


45 para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.

46 Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso!


47 E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso!


48 Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês".



Mateus 6


1 "Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.


2 "Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa.


3 Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita,


4 de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará".


5 "E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.


6 Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará.


7 E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos.


8 Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.


9 Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.


10 Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.


11 Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.


12 Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.


13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém’.


14 Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará.


15 Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas".


16 "Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os homens vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa.


17 Ao jejuar, ponha óleo sobre a cabeça e lave o rosto,


18 para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê no secreto. E seu Pai, que vê no secreto, o recompensará".


19 "Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam.


20 Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam.


21 Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.


22 "Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz.


23 Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!


24 "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro".


25 "Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?


26 Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?


27 Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?

28 "Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem.


29 Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles.


30 Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé?


31 Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer? ’ ou ‘que vamos beber? ’ ou ‘que vamos vestir? ’


32 Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas.


33 Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.


34 Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal".



Mateus 7


1 "Não julguem, para que vocês não sejam julgados.


2 Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.


3 "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?


4 Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?


5 Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.


6 "Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão".


7 "Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.


8 Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.


9 "Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra?


10 Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra?


11 Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!


12 Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas".


13 "Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela.


14 Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram".


15 "Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.


16 Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?

17 Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins.


18 A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons.


19 Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo.


20 Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!


21 "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.


22 Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’


23 Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!’"


24 "Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.


25 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha.


26 Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia.


27 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda".


28 Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino,


29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.

Comentário

Há trecho mais sublime em todo o Evangelho de Mateus? Acreditamos que não.

O Sermão da Montanha contém o resumo de toda a doutrina ensinada por Jesus, as verdades que regem o Universo criado por Deus.

Nem tudo deve ser seguido ao pé-da-letra e deve ser tomado como metáfora, mas é guia para ser seguido por todas as pessoas que pretendem se dizer cristãs e que querem seguir o Mestre Jesus e alcançar a evolução espiritual.

É preciso praticar o que foi dito por Jesus e não apenas ficar interpretando, pensando, sonhando...






terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nosso Lar O Filme




Faltam poucos dias para a estréia: dia 3 de setembro de 2010!

http://www.nossolarofilme.com.br/


O filme foi baseado no livro psicografado por Chico Xavier e conta o que aconteceu com André Luiz, um médico que vivia no Rio de Janeiro, após a sua morte, encontrando uma vida após a vida.

Mesmo para quem não é religioso, não acredita na vida após a morte, ou não acredita em nada, valerá a pena ver o filme, que trata de assunto muito interessante, que sempre nos causa dúvidas e receios. Quem não gostaria de conhecer uma versão de como pode ser a vida após a morte? Ou, para aqueles que crêem, como será a vida depois que eu "morrer"? Além disso, o filme conta com uma excelente produção e avançados efeitos especiais, valendo a pena assisti-lo para prestigiar o cinema nacional em sua nova fase.

Agradecemos a todas as pessoas envolvidas no projeto e produção desse filme! Além de realizar o sonho de muitas pessoas, será um importante elemento de evangelização das pessoas que não têm fé alguma. Elas não precisarão se tornar espíritas ou religiosas fervorosas, mas encontrarão uma oportunidade para repensar suas vidas e vislumbrar a possibilidade de existir uma vida após a morte, em que todos colheremos o que plantamos, o que aponta para a necessidade de reforma moral da humanidade.

Dia 3/09, estaremos lá!

domingo, 8 de agosto de 2010

Estudo das religiões: BUDISMO - 1



A VIDA DO BUDA

O fundador do budismo foi o filho de um rajá, Sidarta Gautama (560-480 a.C.), que viveu no Nordeste da Índia. Sobre sua vida há várias histórias, mais ou menos lendárias, mas os pontos de maior destaque são os seguintes:

O PRÍNCIPE SIDARTA

O príncipe Sidarta cresceu no seio da fortuna e do luxo. O rajá ouvira uma profecia de que seu filho ou se tornaria um poderoso governante ou tomaria o caminho oposto e abandonaria o mundo por completo. Esta última opção aconteceria se lhe fosse permitido testemunhai as carências e o sofrimento do mundo. Para evitar que isso ocorresse, o rajá tentou proteger o filho contra o mundo que ficava além das muralhas do palácio, ao mesmo tempo que o cercava de delícias e diversões. Ainda jovem, Sidarta se casou com sua prima e mantinha também um harém de lindas dançarinas.

A VIRADA

Aos 29 anos Sidarta experimentou algo que haveria de ser o ponto crucial de sua vida. Apesar da proibição do pai, ele se arriscou a sair do palácio e viu, pela primeira vez, um velho, um homem doente e um cadáver em decomposição. Entretanto, depois dessas impressões desanimadoras, avistou um asceta com a expressão radiante de alegria. Percebeu então que uma vida de riqueza e prazer é uma existência vazia e sem sentido. E se perguntou: haverá alguma coisa que transcenda a velhice, a doença e a morte? Sidarta também se sentiu tomado por uma grande compaixão pela humanidade e um chamado para livrá-la do sofrimento. Imerso em pensamentos, voltou ao palácio e na mesma noite renunciou à sua agradável vida de príncipe. Sem se despedir, abandonou esposa e filho, e partiu para uma vida de andarilho.

A ILUMINAÇÃO

As narrativas relatam que Sidarta, depois de uma vida de abundância, passou para o extremo oposto: os exercícios ascéticos. Obrigou-se a comer cada vez menos, até que finalmente, segundo a lenda, conseguia sobreviver com um único grão de arroz por dia. Dessa maneira ele esperava dominar o sofrimento; mas nem os exercícios de ascetismo nem a ioga lhe deram o que procurava. Assim, ele adotou o "caminho do meio", buscando a salvação por meio da meditação. E, aos 35 anos, após seis anos de vida ascética, alcançou a iluminação (bodhi), enquanto estava sentado em meditação sob uma figueira, à margem de um afluente do rio Ganges. Sidarta agora se transformara num buda, ou seja, um "iluminado": alcançou a percepção de que todo o sofrimento do mundo é causado pelo desejo. É apenas suprimindo o desejo que podemos escapar de outras encarnações.

Durante sete dias e sete noites o Buda ficou sentado debaixo de sua árvore da iluminação. Ganhou dessa forma a compreensão de uma realidade que não é transitória, uma realidade absoluta acima do tempo e do espaço. No budismo isso se chama nirvana. Ao dominar seu desejo de viver, que antes o atava à existência, o Buda parou de produzir carma e, portanto, não estava mais sujeito à lei do renascimento. Conseguira alcançar a salvação para si mesmo, e o caminho estava aberto pata abandonar o mundo e entrar no nirvana final. O deus Brahma, porém, instou com ele para que difundisse seus ensinamentos. E então, mais uma vez, o Buda sentiu compaixão pelos outros seres humanos e por todos os seres vivos. Ele "contemplou o mundo com um olhar de Buda" e decidiu "abrir o portão da eternidade" para aqueles que o quisessem ouvir. O Buda decidira se tornar um guia dos seres humanos.

BUDA E SEUS DISCÍPULOS

Buda seguiu então para Benares, que já naquela época era um centro religioso. Ali deu sua primeira palestra — o famoso sermão de Benares, que contém os elementos mais importantes de seus ensinamentos. As "rodas da instrução" tinham sido postas em movimento.

Diversos monges mendigos seguiam Buda, e durante mais de quarenta anos ele e seus discípulos vagaram pela região nordeste da Índia.

Desde o início os seguidores de Buda se dividiram em dois grupos, os leigos e os monges, cada um com seus próprios deveres. Quando Buda tinha por volta de oitenta anos, de repente adoeceu e decidiu se despedir dos discípulos. Antes de morrer, voltou-se para o triste rebanho dos discípulos a seu redor e disse: "Talvez alguns de vós estejam pensando: 'As palavras do mestre pertencem ao passado, não temos mais mestre'. Mas não é assim que deveis ver as coisas. O darma (instrução) que vos dei deve ser o vosso mestre depois que eu partir".

OS ENSINAMENTOS DE BUDA A LEI DO CARMA

O budismo cresceu dentro do hinduísmo como um caminho individual para a salvação. As duas religiões têm muitos conceitos em comum: as doutrinas do renascimento, do carma e da salvação.

Para Buda, um ponto de partida óbvio é que o ser humano é escravizado por uma série de renascimentos. Como todas as ações têm conseqüências, o princípio propulsor por trás do ciclo nascimentomorte-renascimento são os pensamentos do homem, suas palavras e seus atos (carma).

Também nós podemos passar pela experiência de ver que certas coisas que pensamos ou fizemos em determinada época da vida nos afetaram mais tarde. Podemos sentir que nosso passado nos alcançou. É essa mesma idéia que percorre o hinduísmo e o budismo. A diferença é que os orientais vêem essa relação como algo estritamente regulado — e que se estende de uma vida a outra. O tipo de vida em que o indivíduo vai renascer depende de suas ações em vidas anteriores. O homem colhe aquilo que plantou. Não existe "destino cego" nem "divina providência". O resultado flui automaticamente das ações. Portanto, é tão impossível fugir de seu carma quanto escapar de sua própria sombra. Enquanto o ser humano tiver um carma, ele está fadado a renascer.

Embora se possa dizer que a lei do carma possui um certo grau de justiça, ela é vista, no hinduísmo e no budismo, como algo um tanto negativo, algo de que se deve escapar. Assim, a salvação consiste em ser libertado do círculo vicioso dos renascimentos. A eterna série de reencarnações costuma ser comparada a um rio que separa o homem do nirvana. O objetivo do budismo, comum com os outros caminhos indianos para a salvação, é encontrar a "passagem" por onde se pode atravessar para a outra margem.

VISÃO DA HUMANIDADE

Num aspecto importante, porém, os ensinamentos de Buda são diferentes do consenso indiano em geral. O hinduísmo acredita que o homem tem uma alma individual eterna (atmã), a qual sobrevive de uma existência para outra. Assim como uma pessoa descarta suas roupas velhas e gastas, a alma vai se revestindo de outros corpos, sempre renovados. É a alma do homem — seu eu mais íntimo — que está acorrentada à reencarnação. A alma do homem também é considerada idêntica, total ou parcialmente, ao espírito universal (Brahman).

Buda rompe radicalmente com essa doutrina ao negar que o ser humano tenha alma e ao rejeitar a existência de um espírito universal. De acordo com o budismo, a alma é tão fugaz como tudo o mais neste mundo. O fato de um homem achar que é um "eu", ou uma alma, baseia-se na ignorância, e essa ignorância tem conseqüências graves, uma vez que promove o desejo, e é o desejo que cria o carma do indivíduo.

O budismo vê a vida humana como uma série ininterrupta de processos mentais e físicos que alteram o homem de momento a momento. O bebê não é a mesma pessoa que o adulto, e o adulto não é a mesma pessoa que era ontem. E como as imagens numa tela de cinema: movem-se muito depressa e não conseguimos perceber que o filme é "artificial", que não é algo "vivo". Na realidade, o filme é a soma das imagens individuais — ou de uma série de instantes.

"De nada mais posso dizer: 'Isto é meu'", ensinava Buda, "e de nada posso dizer: 'Isto sou eu.'" Ambas as coisas são ilusões. Não há um núcleo imutável da personalidade, não existe um "eu", um ego. Tudo é constituído de fatores existenciais impessoais que formam combinações fadadas a decair. Tudo é transitório.

AS QUATRO NOBRES VERDADES SOBRE O SOFRIMENTO

Depois de experimentar sua iluminação debaixo da figueira, Buda fez o sermão de Benares, em que apresentou as quatro nobres verdades sobre o sofrimento. Elas demonstram que tudo é sofrimento; que a causa do sofrimento é o desejo; que o sofrimento cessa quando o desejo cessa; e que isso se consegue seguindo o caminho das oito vias. Em outras palavras: Buda faz primeiro um diagnóstico, mostrando que a condição do homem é de doença (primeira nobre verdade). Ele então indica a causa da doença (segunda nobre verdade). Afirma, no entanto, que a doença é curável (terceira nobre verdade), e por fim dá uma descrição detalhada de como a doença deve ser tratada, receitando uma cura de oito pontos (quarta nobre verdade). Assim, Buda assume o papel de médico; é por isso que os textos budistas o chamam de "o grande médico".

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A primeira nobre verdade determina que tudo no mundo é sofrimento. "Nascer é sofrer, envelhecer é sofrer, morrer é sofrer, estar unido com aquilo de que não gostamos é sofrer, separarmo-nos daquilo que amamos é sofrer, não conseguir o que queremos é sofrer." Em termos budistas o sofrimento implica algo mais do que mero desconforto físico e psicológico. Pode-se dizer que a existência como um todo é manchada pelo sofrimento, pois tudo é passageiro. A pessoa que não consegue perceber que o mundo, do ponto de vista do ser humano, é inadequado, é uma pessoa cega. Mas isso não significa que o budismo negue toda felicidade material e mental. Ele reconhece que existe alegria tanto na família como no mosteiro. Todavia, tudo aquilo que amamos e a que nos apegamos simplesmente não vai durar.

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Na segunda nobre verdade, Buda afirma que o sofrimento é causado pelo desejo do ser humano. O desejo implica sobretudo desejar com os sentidos, a sede de prazeres físicos. Como essa ânsia nunca pode ser plenamente saciada, ela sempre irá acarretar um sentimento de desprazer. Até mesmo o desejo de sobrevivência do ser humano contribui para manter o sofrimento. Enquanto ele se apegar à vida — e continuar acreditando que tem uma alma —, irá perceber o mundo como sofrimento. O budismo também rejeita o extremo oposto. O desejo de anulação — ou desejo de morrer — igualmente amarra o ser humano à existência. Em primeiro lugar, um tal desejo pressupõe que o ser humano tem uma alma que pode ser eliminada; em segundo, não leva em consideração o carma, que impõe o renascimento. Tirar a própria vida não resolve nada no budismo. Isso não irá libertar a pessoa do eterno ciclo.

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A terceira nobre verdade é que o sofrimento pode ser levado ao fim. Isso acontece quando o desejo cessa. E quando o desejo cessa, começa o nirvana. Um pré-requisito necessário para suprimir o desejo é que a ignorância do homem deve ser enfrentada, pois ela é a causadora do desejo. Assim, só o homem que não enxerga sente desejo. A ignorância leva ao desejo, o desejo leva à atividade, a atividade traz consigo o renascimento, e o renascimento origina mais ignorância. Aqui se descreve um círculo vicioso, e para que este círculo vicioso — ou "corrente da causalidade" — seja rompido, o homem deve atacar a raiz do problema: sua própria ignorância.

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A quarta nobre verdade afirma que o homem pode ser libertado do sofrimento — e do renascimento — seguindo o caminho das oito vias.

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O CAMINHO DAS OITO VIAS

Com base em sua própria experiência, Buda acreditava que o homem deve evitar os extremos da vida. Não se deve viver nem no prazer extravagante, nem na autonegação exagerada. Ambos os extremos acorrentam o homem ao mundo e, assim, à "roda da vida". O caminho para dar fim ao sofrimento é o "caminho do meio", e Buda o descreveu em oito partes: (1) perfeita compreensão; (2) perfeita aspiração; (3) perfeita fala; (4) perfeita conduta; (5) perfeito meio de subsistência; (6) perfeito esforço; (7) perfeita atenção, e (8) perfeita contemplação.

Perfeita compreensão e perfeita aspiração. É a ignorância do homem que põe a roda da vida em movimento. Portanto, o homem deve construir sua compreensão sobre como o mundo funciona. Isso significa, entre outras coisas, compreender as verdades acerca do sofrimento e o ensinamento de Buda de que o homem não tem alma. Em seguida, o homem deve se dedicar a lutar contra o desejo, que é a raiz do sofrimento. Deve também evitar o ódio e a luxúria, ambos causados pela crença equivocada num "eu" distinto e separado do ambiente em torno. Por último, o homem deve olhar para o Buda como um ideal.

Perfeita fala, perfeita conduta, perfeito meio de subsistência. Esses pontos estabelecem a ética do budismo, seu código moral. Perfeita fala significa que o homem deve se abster de contar mentiras, fazer intrigas e ter conversas vazias, e que deve falar com seus semelhantes de um modo verdadeiro, amigável e carinhoso. Para o budista, ficar em silêncio também está incluído na fala perfeita. Perfeita conduta significa seguir os cinco mandamentos que se aplicam a todos os budistas: não matar nenhum ser vivo, não roubar, não ser sexualmente promíscuo, não mentir e não tomar estimulantes. Mais tarde, foram acrescentados outros mandamentos enunciados na forma positiva. Diversos textos budistas ressaltam a utilidade de dar presentes e realizar serviços para os outros. Estudar a doutrina e disseminá-la também faz parte da perfeita conduta. Um aspecto do perfeito meio de subsistência é que se deve escolher um trabalho que não contrarie os cinco mandamentos. Por exemplo, um açougueiro, um comerciante de vinhos, um fabricante de armas ou um soldado profissional teriam de encontrar uma profissão alternativa se quisessem permanecer budistas.

Perfeito esforço, perfeita atenção e perfeita contemplação. Esses três pontos finais se relacionam com a maneira como o ser humano pode melhorar a si mesmo e purificar sua mente. Perfeito esforço significa que o budista não deve deixar que pensamentos ou estados de espírito destrutivos intervenham; e se já estão presentes, deve tentar expulsá-los antes que tenham efeitos palpáveis. Perfeita atenção é um precursor do último item. A autocontemplação é o meio pelo qual o budista alcança pleno controle sobre o corpo e a mente. Uma vez conseguido isso, ele está pronto para iniciar a meditação propriamente dita.

O budismo tem uma doutrina abrangente sobre os vários níveis e estágios da meditação. Durante a meditação, todos os músculos se relaxam, possivelmente também pelo fato de o praticante sentar numa posição especial de ioga. Toda a concentração deve focalizar uma só coisa. Esta pode ser um objeto, uma palavra ou a própria respiração. A psicologia budista hoje ensina que a mente humana se compõe de duas partes: uma superficial, que é excitada pelos sentidos, e as profundezas da mente, que são tranqüilas e imóveis. O objetivo da meditação é acalmar a superfície perturbada. Quando isso acontece, o budista perde todo sentido do tempo e do espaço, e todas as ilusões sobre "eu" e "meu" desaparecem. É nesse ponto que ele pode ter esperança de alcançar a plena iluminação (bodhi), na qual atinge uma compreensão perfeita das "quatro nobres verdades", deixando de enganar a si mesmo sobre a existência e se libertando da lei do carma. O budista agora se tornou um arhat (isto é, "venerável"), o que significa que não irá mais renascer. E quando morrer, atingirá o eterno nirvana.

Continua...